Cardiologia preventiva16/06/2007
Atualmente o diagnóstico e tratamento mais eficazes em relação às doenças infecciosas, fizeram com que as enfermidades crônico-degenerativas prevalecessem nas estatísticas de morbidade e mortalidade, mesmo em países em desenvolvimento como o nosso.
Tal fato deve-se especialmente ao aumento da expectativa de vida, fazendo com que a exposição aos chamados “fatores de risco” seja mais prolongada. Assim a doença cardiovascular tornou-se uma das principais, senão a principal, causa de morte e incapacidade em nosso meio.
Foi nesse contexto que surgiu o conceito de “cardiologia preventiva”, onde se procura atuar sobre os fatores de risco na tentativa de se diminuir a probabilidade de ocorrência e/ou avanço da doença já existente.
Os fatores de risco
A aterosclerose é a causa mais freqüente de doença. Os principais fatores de risco para a doença coronária são: sexo masculino e idade; tabagismo; hipercolesterolemia (baixos níveis de HDL-colesterol); hipertensão; diabetes; obesidade (mais que 30% acima do peso); história familiar de doença coronária antes dos 55 anos de idade; sedentarismo; personalidade “tipo A”(hostilidade); doença vascular periférica oclusiva ou cerebrovascular.
Alguns desses fatores não podem ser modificados, como, por exemplo, raça, idade, sexo e história familiar. Os fatores ambientais e de comportamento são modificáveis. Há uma nítida relação de tais fatores ambientais causais e a probabilidade de ocorrência de doença coronária clinicamente manifesta.
Pesquisas demonstram de forma convincente que os “distúrbios culturais” (sobrecargas metabólicas devido a uma dieta rica em gorduras, calorias e colesterol; tabagismo e o estilo de vida sedentário) agindo desde o início da infância, são responsáveis pela aterosclerose.
Manuseio do risco e prevenção da doença arterial coronária
Infelizmente a maioria dos médicos envolvidos no tratamento da doença arterial coronariana, acabam se preocupando mais com as complicações da aterosclerose (angina, infarto do miocárdio) do que com a prevenção. Idealmente, tais programas deveriam ser compostos por profissionais de diversas áreas: nutricionistas, psicólogos, enfermeiros e médicos. Os principais objetivos são:
- Motivar o paciente a adotar um estilo de vida saudável
- Obter o perfil do fator de risco cardiovascular
- Envolver o paciente e a família (esposa e filhos)
- Inserir o paciente e a família em um programa de treinamento para o estilo de vida:
- Parar de fumar
- Controlar a hiperlipidemia
- Controlar a hipertensão
- Controlar a obesidade
Duas abordagens para a prevenção e intervenção na doença coronária são consideradas. A primeira é do âmbito da saúde pública, onde programas para informar e incentivar a população a modificar seus hábitos de vida são discutidos, como a educação para a saúde cardiovascular para as crianças e a mudança do meio ambiente nas escolas (tipo de merenda, exercícios).
A outra abordagem refere-se à prática médica diária, ou seja, o cardiologista e o seu paciente. Deve-se ter em mente os conceitos de prevenção primária e secundária. No primeiro caso o objetivo é evitar o primeiro evento coronário. No caso de prevenção secundária, visa-se interromper o avanço e eventualmente a regressão do processo aterosclerótico em pacientes já acometidos. As diferenças nas recomendações estão principalmente no controle da hiperlipidemia.
Existem hoje medicamentos eficazes na redução das taxas de colesterol, porém a primeira e principal abordagem é de alteração dos hábitos alimentares e estímulo à prática de atividade física regular.
Assim sendo é fundamental a conscientização, tanto da classe médica como da população em geral, da importância da prevenção em cardiologia já que muito se pode fazer para diminuir a ocorrência da doença arterial coronariana em nosso meio.
Previna-se! Consulte seu médico de confiança regularmente.
Dr. Adjair Humberto Forti - CRM - 69603
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