Memória: usar ou perder29/05/2007
Podemos definir memória como a capacidade de adquirir, formar, conservar e recuperar informações. Nossa memória nos dá identidade e localização, originando assim nossa consciência.
Utilizamo-la para toda atividade intelectual, desde o mais simples ato motor, como mastigar, até o mais complexo raciocínio mate mático. Para isso ela funciona como um arquivo vivo em constante utili zação, exigindo então um bom sis tema de gerenciamento, que saberá utilizar determinados arquivos nos momentos mais adequados, já que, por exemplo, de nada valeria utilizar um conhecimento matemático para realizar a mastigação de um chiclete.
Para facilitar o entendimento, descrevemos os diferentes tipos de memória, com variadas funções, porém todas elas interrelacionadas:
- Memória de procedimento: refere-se ao conhecimento neces sário para realização de habilidades e procedimentos do cotidiano como andar, escovar os dentes, tomar ba nho, calçar sapato, nadar, pular, escrever, etc;
- Memória das sensações: são os dados usados para identificação de objetos como cor, odor, textura, sabor, som, tamanho, volume, consistência, peso, forma, etc;
- Memória de significado ou semântica: é aquela que nos infor ma sobre conhecimentos gerais e teorias como o significado de um dita do popular ou, por exemplo, aquilo que se deve saber para o exercício de uma determinada profissão como a advocacia, ou mesmo para o exercício de uma fé religiosa;
- Memória de trabalho: seria na verdade a memória de curtíssima duração, o gerenciador do sistema, que identifica dentre todos os arquivos a quele mais necessário quando precisamos agir em uma situação ambiental momentânea, por exemplo quando conversamos sobre determinado assunto;
- Memória episódica: é o conjunto de informações que repre senta um sentimento, ligado à uma imagem no espaço e no tempo, como por exemplo a lembrança do primeiro beijo, vitórias e derrotas esportivas pessoais e de equipes nacionais, festa de formatura ou outros.
Quando vulgarmente se diz que estamos perdendo a memória quere mos dizer que estamos esquecendo algumas memórias episódicas, pela simples razão de não considerarmos memória o conhecimento de como se escova os dentes, sendo este conhecimento uma memória de procedimento. Sabemos também que a sequência de memórias acima des crita representa em ordem cronológica a evolução da complexidade do sistema nervoso central quando nos comparamos aos outros animais.
Vale dizer que a formação e o detalhamento da memória episódica requer muita interatividade entre todas as memórias anteriores e recebe influência do estado emocional, sendo tão mais perfeita e detalhada quanto mais emocionante o evento tenha sido.
Com isso já podemos concluir duas verdades se a intenção é preservar ao máximo a qualidade da nossa memória: devemos primeiro aprender sempre, adquirir novas habilidades, novas maneiras de raciocinar, devemos estudar, debater com outras pessoas, argumentar, perguntar e responder. Assim estimularemos excessiva e positivamente a formação de novas conexões intracerebrais entre diferentes memórias, qualificando ainda mais nosso arquivo de memórias episódicas.
E, finalmente, também devemos procurar o equilíbrio emocional, a docilidade, a calmaria, o afeto mútuo, o prazer construtivo, enfim, a mais sólida argamassa de fixação de todas as informações necessárias para que possamos viver com prazer e alegria cada segundo de nossas vidas.
Previna-se! Consulte seu médico de confiança regularmente.
Dr. André Meneghel Lara - CRM 94181
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